"Houve feliz coincidência quando recebi convite do Projeto Conexões para escrever um texto sobre jovens e para jovens. Depois de mais de sessenta peças escritas dei-me conta de que, apenas uma única vez, havia abordado especificamente esse tema e essa faixa de público.
É bem verdade que há muito havia em mim o desejo de, escrevendo, desvendar para mim, até onde fosse possível, essa fase da vida. Senti que era o momento. Mais, senti que devia não apenas de escrever uma segunda peça para jovens, mas abrir uma vertente inteiramente dedicada a eles em meu trabalho.
Há uma frase escrita que, um dia, lida, marcou-me para sempre: 'Adultos são o que são, crianças serão ou não'. Ingratamente não me marcou também o nome do autor, talvez Bruno Bettelheim.
O jovem está exatamente nesse campo de batalha entre o ser e o não ser; entre a aceitacão do mundo adulto como ele é e a transformação de si próprio e do mundo.
É essa fase única e conturbada da vida; essa massa critica de conflitos e esperanças, de vigor, inocência, ternura e desespero; é esse mundo intenso que se abre aos nossos olhos e à nossa sensibilidade quando a ele nos voltamos.
E com ele aprendemos. Ou nos reaprendemos jovens e com possibilidades outras de nos fazer adultos novamente.
Foi um prazer imenso, através do Projeto Conexões, revisitar minha própria juventude. Creio que isso diz sobre o Projeto Conexões, mas diz pouco.
Um projeto como esse deveria se multiplicar em outras instituições, transformar-se em coisa comum, ganhar peso cultural, gerar novos valores e agregá-los ao mundo.
Um mundo diferente deste no qual vivemos, com certeza."
Luís Alberto de Abreu